01/09/2006 ..

Aumenta o som!


Bem, ainda não chegamos a um consenso sobre a nossa música tema. “Volaire” está na frente, mas só vamos bater o martelo depois do comentário número 80, é questão de honra! Lembrem-se de que chef não erra, se engana! Então não vão me desapontar, temos o final de semana inteiro para atingir as nossas metas!

Enquanto isso, devo admitir que ando muito apreensiva com a possibilidade de perder um dos meus mais talentosos cozinheiros... E nesse caso a trilha sonora seria Wagner! Que eu adoro, mas tudo tem hora! Vocês vão compreender a minha apreensão ao assistir o filme que o nosso talentoso cozinheiro e cineasta fez. Um show!

Não é bem um curta dessa vez, acho que ele se empolgou, como todos nós, aliás! Porque essa aula repleta de rúculas, sorrisos, aromas, alegria e emoção foi realmente muito especial para todos nós.

O Teacher & Dinner é realmente muito especial. Acima de qualquer coisa esse encontro intenso de pessoas dos mais diversos tipos, sedentas por emoção, propicia a todos nós sensações muito especiais e intensas. Muitas vezes não estamos nos nossos melhores dias, às vezes estamos com a cabeça repleta de problemas, temos milhões de atividades e compromissos no outro dia, ou estamos exaustos depois de uma semana intensa de trabalho.

A aula dessa semana contou com todos esse aspectos, inclusive a parte da exaustão, pois vínhamos de uma semana muito puxada, trabalhamos inclusive no domingo - normalmente o nosso dia de folga – até às 2 da manhã!

Mas a verdade é que quando entramos ali, naquela dimensão da alegria, da divisão, da amizade, tudo fica para trás. É como se a energia que rola ali fosse única e totalmente independente de qualquer fator externo.

Melhor do que palavras para tentar explicar essas sensações, deixo vocês agora com o filme do Lucas, grande Lucas!

Aumenta o som e clica aqui para ver o vídeo

Até!
31/08/2006 ..

Qual é a sua música? Qual é a nossa música?


Achei ótima a idéia de alguns confrades de contar quais são as suas músicas do momento. Isso me deu uma idéia, vamos todos contar quais são as nossas músicas do momento?

Música, como comida, tem a ver com o momento e muda com o momento também, mesmo que continue a mesma, assim como o que você está com vontade de comer!

Hoje posso estar com desejo de comer um confit de pato com batatas soutée e ouvir Ella Fitzgerald. Amanhã posso estar louca por um filé com fritas e qualquer música da Blitz – que, aliás, eu adoro! Depois de amanhã posso estar morrendo de vontade de comer carré de cordeiro e de novo ouvir a diva Ella Fitzgerald!

Tem o momento emocional, como muita gente frisou, em que a música realmente nos transporta a algum lugar. Por exemplo, “Volaire” nunca mais na vida vai me lembrar outra coisa senão rúcula! Não é, Andréa?

“Esquadros”, da Adriana Calcanhotto, que eu adoro, me lembra de quando eu morava nos Estados Unidos, estava longe de tudo e de todos e sentia uma falta enorme de qualquer coisa que me lembrasse o Brasil. Chorava sem parar quando ouvia: “eu ando pelo mundo, e os meus amigos, cadê?” Exatamente como a Ana e a Luciana lá em Bruxelas devem se sentir. Estamos aqui, viu!

“The way you look tonight” é uma das minhas músicas preferidas de todos os tempos e apesar de eu não poder contar porquê, me lembra sempre do sorriso da pessoa que mais amo na vida!

“Fly me to the moon”, com a Paula Toller, vocês já sabem, é uma das músicas mais marcantes da minha vida. Essa música me lembra lutas, conquistas, alegrias, sorrisos, trabalho e inevitavelmente me dá saudades da minha linda equipe do Alvorada. Mas hoje em dia ela passou a fazer parte de outro momento da minha vida. Sempre que posso coloco no restaurante na hora do jantar, quando vamos servir um prato muito especial para marcar aquele instante. E assim ela vai me acompanhando pela vida em momentos diferentes, mas com a mesma intensidade.

Outro dia a Paula apareceu lá no restaurante, fiquei meio boba, cá entre nós, paguei o maior mico! Fiquei tão emocionada, pensei no quanto a música, que ela tão lindamente imortalizou, emocionou a minha vida por tantos anos. Dei o meu livro de presente para ela e alguns dias depois ela me ligou encantada com a citação que faço sobre a música. Me dei conta de que lá estava ela outra vez na minha mente, a mesma boa e velha “Fly me to the moon” era ainda a minha música do momento. Atual, soberana e linda, em outro momento incrível!

Aí fiquei me perguntando qual seria a nossa música?

Acho que hoje a gente bate o recorde e chega aos 80 comentários, se todo mundo que fica escondidinho entrar para escolher a nossa trilha sonora, é capaz de estourar o espaço que nos abriga!

Até... ao som de “Fly me to the moon”, com a Paula Toller, claro!
30/08/2006 ..

A música na minha vida...



Andei pensando muito nisso outro dia, em como a música é necessária na minha vida. Para ilustrar um pouco, segue um trecho da apresentação do meu livro: “Roberta Sudbrack, uma Chef, um palácio”, que lancei em 2001, onde eu falo sobre isso:

“Ainda, posso reviver e sentir todas as sensações do dia em que pisei pela primeira vez no Palácio da Alvorada na condição de chef daquela cozinha. Entrar bem devagar pelo portão olhando tudo me propiciou um instante inviolável e indestrutível. No carro tocava Fly me to the moon, com a Paula Toller, o que me fez pensar em três coisas: a vida tem sempre uma trilha sonora; aquela era a mais bela gravação dessa música que eu já havia ouvido e que daquele instante eu jamais esqueceria”.

Acredito profundamente nisso: a vida tem sempre uma trilha sonora! E isso a torna mais incrível, intensa e divertida! Quantas vezes na cozinha, lá no restaurante e também nos tempos do palácio, não coloquei uma música ou outra na intenção de levantar a moral da minha brigada? Quantas vezes não procurei a música certa para o momento certo, a música certa para a prato certo? A música certa para a turma certa. E a de ontem foi tão maravilhosa que mereceria ter virado uma “festa rave” de tanta alegria! Ana Julia, Volaire, Marinheiro, Legal Tender, do B52´s! Entre tantas outras!

A música vai comigo por onde eu for. Quando fazia jantares na casa dos clientes, levava sempre comigo um som portátil e milhões de CDs - não, não é porque eu sou uma chef romântica e antiquada que não gosta de forno combinado, é que ainda não estávamos na era dos Ipods!

Chegava na cozinha das pessoas e a primeira coisa que fazia, antes mesmo de abrir a minha maleta de facas, era ligar o nosso som e começar a criar a nossa trilha sonora. Fazia parte do ritual, como o misse en place, indispensável e sempre única.

Cada momento é um momento, cada jantar é um jantar, cada energia, cada pessoa, cada ingrediente, casa com uma música, com um ritmo, com uma vibração. E a música acalenta a gente nessa viagem, seja ela qual for, seja como for, ela nos leva sem pedir explicações.

Adoro a pulsação da minha cozinha em momento de pico, casa lotada, 40 pedidos ao mesmo tempo, adrenalina a todo o vapor, concentração em último grau, eu cantando os pedidos e todos gritando juntos: “Sim chef!”.

E de repente, eu paro. Como se fizesse uma pausa no tempo, - que não pode parar – congelo a cena naquele caos e vejo alguns dos meus “combatentes” se estourando para cumprir as suas tarefas, no tempo exato, na medida certa e ainda assim, sem perder nem por um instante a concentração, cantarolando alguma música que entra na nossa veia naquele momento para nos dar força, suporte, alegria, emoção e transformar aquilo tudo em mais um instante único e inviolável.

O que seria de nós sem a música na nossa cozinha? Cada uma tem uma história, faz parte da trilha sonora das vidas dessas carinhas lindas aí embaixo, e nesse dia, que a gente ainda não esqueceu, a trilha foi uma canção típica da Borgonha que a família Troisgros cantou para nós, em retribuição ao almoço que oferecemos a eles, com direita a palmas, mãos para o alto e lindos sorrisos... Momentos únicos e invioláveis.

Viva! A música!

29/08/2006 ..

“Na rua, na chuva, na fazenda ou numa cozinha de sapê...”



Esse foi o tema da nossa aula de ontem, com a ilustre e simpática presença da nossa confrade Andréa! Foi uma tarde e tanto, Lucas filmou e já está na ilha de edição nesse momento, acredito que até o final de semana teremos mais filme!!!!!

Mas, não se assustem pois a turma foi incrível e acabamos nos empolgando um pouco demais! Andréa, além de ótima dançarina, arrasou na receita, contrariando a sua teoria de que não leva muito jeito! Tirou onda também na mímica, mas infelizmente a minha equipe saiu vencedora!

Enfrentou alguns probleminhas de percurso, é verdade, com alguns alunos da minha outra confraria, que ainda não apareceram por aqui e por isso andam meio enciumados... Nada que a nossa presidente não possa resolver! Afinal, feliz do chef que ao invés de ter duas confrarias, tem uma imensa! Aliás, falamos da nossa presidente o tempo todo, parecia que Bruxelas era ali... Sentimos até o gostinho daquele chocolate belga...

Bem, mas para contar essas e outras de um dia na cozinha com a minha turma, passo a palavra a Andréa, apesar de acreditar que os 1024 caracteres não serão o bastante, porque cá entre nós: a gente se divertiu à beça!

E para não deixar a minha confraria na mão e nem com água na boca, posto a seguir a receita executada com maestria pela nossa confrade na aula de hoje e atesto: ela arrasou!!!!

Até! Viva!

Tartelette de alho poró e rúcula (para 8 pessoas)

Ingredientes:

Massa

· 200g de manteiga sem sal em temperatura ambiente

· 2 gemas

· Farinha de trigo peneirada o quanto baste

· Pimenta do reino moída na hora

· Sal

Recheio

· 4 talos de alho poró, inclusive a parte verde

· 250ml de creme de leite fresco

· 3 ovos

· Manteiga

· Azeite

· Rúcula

· Parmiggiano reggiano

· Aceto balsâmico envelhecido

· Pimenta do reino moída na hora

· Sal

Modo de fazer:

Massa:

Misture a manteiga com as gemas e o sal. Acrescente a farinha de trigo, misturando sempre até atingir uma massa homogênea e que desgrude das mãos. Deixe descansar por pelo menos 30 minutos. Abra a massa e cubra forminhas individuais de fundo removível.

Recheio:

Bata os ovos com creme de leite e tempere com sal e pimenta do reino moída na hora. Acrescente 2 colheres de sopa de parmiggiano reggiano e reserve. Salteie o alho poró cortado em pequenos pedaços em um pouco de manteiga e azeite até ficar bem dourado. Disponha em cada forminha um pouco de alho poró e cubra com a mistura de creme e ovos. Asse em forno pré-aquecido a 180º até ficarem bem douradas. Sirva com a rúcula fresca e parmiggiano em lascas. Adicione na hora de servir gotinhas de aceto balsâmico envelhecido para criar um contraste de acidez.
28/08/2006 ..

Os dias do “Dias” – parte II e The End...



Bem, apesar de tudo, optei por mantê-lo na equipe. Sabia o trabalho que daria, ou, talvez não! Mas acreditava no potencial do sargento (acho que era essa a patente dele), tinha uma ótima postura, segurança no andar e falar, quando resolvia falar... É, porque depois dessa decisão em última instância e sem chance de recorrer, ele ficou, mas se calou.

Era “Bom dia Dias!”. E nem um sinal do outro lado. No outro dia, “Bom dia, Dias!”. E nada! No outro dia, “Bommmm dia Dias!!!”. Nada!

Mas o que ele não esperava era se deparar com alguém tão determinada e obcecada como eu pela frente! Foi um tal de sentar na cadeira da bronca, uma, duas, três, dez, quantas vezes fossem necessárias, até que o “bom dia” viesse. Quantas vezes Dra Ruth Cardoso não adentrou a cozinha e me pegou sentada com ele? Chegou a me chamar de chef terapeuta!

Demorou, mas o “bom dia” veio e agora posso admitir, mas fica só entre nós, me emocionou. O primeiro “bom dia”, mostrou que tudo tinha valido a pena e a partir daí começou a brotar - devagar, bem devagarinho - uma relação de profunda confiança e lealdade.

Foram dias de muita emoção, trabalho, descobertas, alegrias e algumas decepções, claro, nem todo mundo estava a fim de cooperar. Nem todo mundo estava com vontade de seguir pelo caminho que dava mais trabalho: o da excelência. Nem todo mundo tinha noção do que representariam todos aqueles anos nas nossas vidas... Mas de uma coisa eu sempre tive certeza: o Dias sempre soube! E soube também me ajudar, me apoiar, ser honesto, íntegro, companheiro e indispensável na minha equipe.

Equipe essa que atingiu sim, todos os seus objetivos, superou todas as minhas expectativas e me encheu de alegria e emoção por seis anos consecutivos e de uma profunda tristeza na hora da partida.

Quando me perguntam como foi deixar a cozinha presidencial, a minha resposta é muito simples, como aliás, são as coisas de que eu gosto: tudo estava previsto, menos a dor que senti ao deixar a minha equipe.

É simples também a explicação: de todas as conquistas e realizações que tive durante a minha passagem pelo Palácio da Alvorada, de todas as alegrias que vivi durante esse período, de todas as emoções que senti enquanto chef presidencial... Nada, nada mesmo, se compara às alegrias, às conquistas, às realizações, e às emoções que a minha equipe me proporcionou.

Dias, valeu!

Até!
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